
Dailton Moura Reis–Advogado imobiliarista e graduando em Engenharia civil
A Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência distante e passou a integrar, de forma concreta, a rotina da advocacia brasileira. Hoje, ela já está presente na redação de petições e contratos, na pesquisa de jurisprudência, na organização de processos, na análise de riscos e até no atendimento inicial ao cliente. Isso não significa que o advogado esteja sendo substituído, mas sim que a profissão está sendo ampliada por novas ferramentas. O profissional que aprende a usar a tecnologia ganha tempo, melhora a qualidade do seu trabalho e entrega mais valor ao cliente.
Na prática, a IA permite que o advogado produza com mais clareza, pesquise com mais profundidade e decida com mais estratégia. Em vez de gastar horas com tarefas repetitivas, ele pode concentrar sua energia naquilo que realmente exige raciocínio jurídico, sensibilidade humana e visão crítica. A tecnologia não pensa como um jurista, mas potencializa o jurista que sabe usá-la. É por isso que o mercado já começa a diferenciar dois perfis: o advogado tradicional e o advogado que domina ferramentas tecnológicas.
Além disso, o próprio Judiciário brasileiro já é majoritariamente digital. Processos eletrônicos, audiências virtuais, provas digitais e sistemas automatizados fazem parte do cotidiano forense. Ignorar esse cenário é o mesmo que aceitar perder eficiência e competitividade. O cliente também mudou. Ele pesquisa antes de contratar, quer respostas rápidas, valoriza objetividade e espera soluções. O advogado que não acompanha esse ritmo corre o risco de parecer lento, distante e desatualizado.
Há ainda um ponto essencial: o uso da IA envolve responsabilidade ética. Quem não se capacita pode cometer erros graves, como violar o sigilo profissional, confiar cegamente em informações incorretas ou utilizar ferramentas sem compreender seus limites. Por isso, aprender a usar IA não é apenas uma questão de inovação, mas também de prudência e de respeito à profissão.
A advocacia do século XXI exige mais do que conhecimento jurídico. Ela exige gestão, estratégia, domínio de dados e inteligência tecnológica. A Inteligência Artificial não elimina o papel do advogado, mas redefine o seu valor. O profissional que entende isso não vê a IA como ameaça, mas como aliada. Capacitar-se nesse tema deixou de ser opcional. Hoje, é uma questão de relevância, competitividade e sobrevivência no mercado jurídico.