
O gargalo do financiamento de leitos de tratamento da covid-19 na Bahia foi tema da 19º Reunião da Comissão Intergestores Bipartite da Bahia-CIB, ocorrida nesta quinta-feira, dia 10, na qual foi discutido o aumento da demanda nos municípios baianos por atendimento de pessoas infectadas pelo coronavírus.
De acordo com prefeitos e secretários municipais de saúde, o recurso encaminhado pelo governo federal para a manutenção de leitos não tem correspondido com o crescimento da demanda por atendimento.
Nesta quarta-feira, dia 09, a Bahia registrou em 24 horas o segundo maior número de novos casos da covid-19, desde o início da pandemia. Foram 6.733 pessoas infectadas, conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde.
Em busca de uma solução, o vice-presidente da União dos Municípios da Bahia-UPB e prefeito de Belo Campo, José Henrique Tigre-Quinho, afirmou que a entidade mobilizará a bancada baiana de deputados e senadores e a Confederação Nacional de Municípios-CNM para agendar uma reunião com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Quinho explica que a situação é gravíssima. “A população entende que foram repassados milhões aos municípios, mas uma caixa de luvas que custava R$17 antes da covid, hoje custa R$110. O município não tem como arcar com essa situação. O problema da covid em nosso país não é só do prefeito, do secretário, do governo estadual ou federal, mas de todos nós gestores. Não podemos deixar o munícipe morrer à míngua”, explicou o prefeito.
Municípios da macrorregião de Vitória da Conquista já enfrentam dificuldades em regular pacientes para leitos de tratamento da covid. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, há seis meses a Bahia não recebe recurso novo, além do já pactuado, e é inviável ampliar o número de leitos sob responsabilidade da Sesab.
Diante da questão, a CIB deliberou que será realizada uma reunião de emergência para discutir a situação da região Sudoeste, com prefeitos, a UPB e a Sesab, com o objetivo de debater a estrutura de financiamento dos municípios que compõem a macrorregião.
Na Bahia, atualmente, dezenove municípios aguardam habilitação de leitos para tratamento da covid, junto ao Ministério da Saúde, e outros 14 manifestaram interesse em obter novos leitos. A presidente do Conselho Estadual de Secretários Municipais da Saúde–Cosems-Bahia, Stela Souza, acrescentou que "proporcionalmente, todos estão sofrendo” com a falta de recurso, seja município pequeno ou de macrorregião.
Segundo Stella, o Cosems da Bahia tem acompanhado atentamente a situação, mas o financiamento da saúde sofre com a falta de investimento em diversas áreas, inclusive, com perda de recursos na atenção básica.