
As principais causas de morte em crianças de um ano a dezenove anos no Brasil são violência e acidentes, afirmou o presidente do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria-SBP, Marco Gama.
“Não são as doenças infectocontagiosas”, acrescentou o pediatra, destacando que, em geral, as pessoas não têm essa visão. O especialista avaliou, por outro lado, que as mortes por violência e acidentes são evitáveis, mas faltam ações para que esses números sejam reduzidos.
Segundo informações da Agência Brasil, de 2010 a agosto de 2020, 103,149 mil crianças e adolescentes de até dezenove anos morreram vítimas de agressões no país.
Os óbitos por agressões e suas causas podem ser conferidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, obedecendo a Classificação Internacional de Doenças–CID-10.
Embora não haja ainda estatísticas oficiais, “seguramente” o número de violência contra crianças e jovens cresceu durante a pandemia de covid-19, na análise de Marco Gama.
Ele observou que a criança poderia pedir socorro a um vizinho, à professora ou a um colega na escola, a um padrinho com quem tenha proximidade afetiva. Mas, com o isolamento social imposto pela pandemia, a criança que sofre maus-tratos está limitada ou presa no ambiente domiciliar.
Nesta terça-feira, 18 de maio, data em que marca o combate nacional ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, Raquel de Andrade, afirmou que não existe perfil de abusador: embora a maioria seja do sexo masculino, mulheres também abusam, como babás, funcionárias de creche, mães, avós.
Raquel de Andrade é a presidente do Instituto Infância Protegida, organização não governamental do Espírito Santo que dá amparo jurídico e psicológico a crianças, adolescentes e adultos vítimas de violência sexual. “Um caso em especial que estamos cuidando é o de uma que mãe precisava trabalhar e deixou a criança com a avó. A avó estava abusando da criança”, apontou.
Para se ter uma ideia do volume de abusos, de 2011 ao primeiro semestre de 2019, foram registradas mais de 200 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, segundo dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do serviço Disque 100.