
Nove dirigentes da Ceplac, lotados em três dos cinco Estado de atuação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, pediram na manhã desta segunda-feira, dia 08, afastamento dos seus cargos, em solidariedade ao cientista Raul Valle. Aliado e defensor do Governo Bolsonaro, foi exonerado, sem justificativa aparente, na última sexta-feira pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, da chefia do Cepec-Centro de Pesquisas do Cacau, sediado no sul da Bahia.
Manfred Willy Muller, coordenador geral de pesquisa, finanças, administração e extinção; Fernando Antonio Teixeira Mendes, superintendente regional do Pará; Paulo Gil Gonçalves de Matos, chefe de pesquisa e extensão do Pará; Caio Marco Vasconcellos Cordeiro de Almeida, superintendente regional de Rondônia; Paulo Júlio da Silva Neto, chefe de pesquisa e extensão de Rondônia; José Marques Pereira, chefe do Serviço de Pesquisa do Cepec; Antonio César Zugaib, coordenador de planejamento da Superintendência da Bahia; Jackson Emanuel Prado, coordenador de transferência de tecnologia da Superintendência da Bahia; Milton José da Conceição, coordenador de assistência técnica da Superintendência da Bahia foram os servidores que pediram afastamento.
Na última sexta-feira, dia 05, o atual diretor-geral a Ceplac, Waldeck Pinto de Araújo Junior, ligou de Brasília para Raul Valle, que se encontrava na Sede Regional do órgão, na rodovia Ilhéus-Itabuna, comunicando a sua exoneração. Os motivos não foram revelados. No entanto, o Blog do Bené apurou que o chefe do Cepec foi afastado por não estar alinhado com as orientações vindas de Brasília.
Hondurenho de nascimento, brasileiro naturalizado e pesquisador da Ceplac há mais de três décadas, Raul Rene Melendez Valle é considerado uma das maiores autoridades em pesquisa do cacau no mundo. Dirigente do Cepec pela segunda vez há pelo menos dez anos, o cientista vinha, desde o início do ano passado, chamando a atenção das autoridades para a política de desmonte da pesquisa e da extensão do órgão, promovido pelo Governo Bolsonaro.
Na verdade, em que pese o silêncio das chamadas “lideranças regionais’’, o Governo Federal ainda não ouviu a cacauicultura brasileira nem o Ministério da Agricultura abriu um canal de discussão com as instituições representativa do agronegócio cacau, apesar de inúmeras tentativas, inclusive por parte de consórcio de prefeitos do sul da Bahia. Pelo contrário, em fevereiro do passado, tirou da Ceplac o status de Secretaria singular para Departamento e extinguiu a assistência técnica e a extensão, uma marca do órgão que nos último dia 20 de fevereiro completou 64 anos de existência.