
A crise econômica tem afetado a principal avenida comercial de Itabuna. Segundo levantamento preliminar feito pelo Blog do Bené, pelo menos trinta e sete imóveis estão atualmente à venda ou para aluguel na Cinquentenário, reflexo da retração no comércio local. A artéria, inaugurada em julho de 1960, tem uma extensão de 1.545 metros.
O número é considerado preocupante. Significa que a cada quarenta metros da avenida – da Autoescola Regional ao Jardim do Ó – um imóvel está disponível para ser comercializado. São prédios inteiros, casas comerciais e salas com avisos expostos.
Concluída quando Itabuna completou cinquenta anos, no segundo ano da primeira gestão do prefeito José de Almeida Alcântara, a Cinquentenário foi projetada para ser o símbolo do progresso itabunense. Com lojas de todos os segmentos — de moda a tecnologia, de serviços bancários a alimentação — a avenida sempre foi referência regional, atraindo consumidores de dezenas de municípios vizinhos.
Entrecortada pelas rodovias federais BR-101 e BR-415, Itabuna consolidou-se como um dos maiores polos comerciais e de prestação de serviços do norte/nordeste do país. No entanto, a atual conjuntura econômica tem provocado o fechamento de estabelecimentos, redução de investimentos e retração no consumo.
Comerciantes relatam dificuldades para manter os negócios diante da alta carga tributária, queda no poder de compra da população e concorrência com o comércio digital. Muitos empreendedores têm optado por encerrar atividades ou migrar para espaços mais baratos, deixando para trás imóveis antes disputados.
A situação preocupa entidades empresariais e autoridades locais, que buscam alternativas para reaquecer a economia. Medidas como incentivo ao empreendedorismo, facilitação de crédito e modernização da infraestrutura urbana estão em debate.
Enquanto isso, a Cinquentenário – que já foi sinônimo de prosperidade – está vivendo um momento preocupante, com pouco movimento e vitrines vazias. Além da concorrência dos vendedores ambulantes na porta das suas casas de negócios, os comerciantes estabelecidos no local enfrentam a falta de organização do trânsito.