
Não deveria, mas está começando a virar rotina as agressões gratuitas de Jair Bolsonaro e seus seguidores à jornalistas no exercido de suas atividades profissionais. Na manhã desta segunda-feira, dia 26, em Salvador – dois dias depois que o repórter Diogo Pugét e o cinegrafista Carlos Augusto, da TV Cultura do Pará, foram agredidos enquanto cobriam a passagem do presidente da República por Belém – a repórter Driele Veiga, da TV Aratu, foi chamada de idiota pelo Chefe da Nação.
“A senhora não tem o que perguntar não? Deixe de ser idiota!”, disse Bolsonaro à repórter. Durante a inauguração de um trecho da BR-101, Driele Veiga perguntou ao presidente sobre uma postagem feita por ele na qual aparece segurando uma placa com a expressão “CPF Cancelado”, frase utilizada por bandidos para se referir a quem morreu em confronto com a Polícia.
A atitude de Bolsonaro foi repudiada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia. “O xingamento revela o traço imaturo e autoritário de Bolsonaro, que não consegue conviver com a crítica, com o contraditório, com a diferença e nem com a obrigação de conceder entrevistas e responder às perguntas dos jornalistas, principalmente se do outro lado estiver uma mulher”, disse e o presidente do Sinjorba, Moacy Neves.
“É comum que pessoas imaturas e políticos autoritários ajam com grosseria, falta de educação e violência quando confrontados com seus erros e irresponsabilidades, aumentando o grau de irracionalidade quando se tratar de um homem e do outro lado estiverem as mulheres”, acrescentou o jornalista.
Para Moacy Neves, Jair Bolsonaro mostra ser totalmente despreparado para exercer cargo público de presidente da República. “A maior autoridade do país não pode incentivar desrespeito aos direitos humanos e nem agir com grosseria com a Imprensa, que é os olhos e a forma de comunicação entre os poderes e a sociedade”, disse o sindicalista.
Este fato soma-se a centenas de outros ocorridos ao longo de pouco mais de dois anos de mandato, marcados por agressões dele e de seus seguidores aos profissionais do Jornalismo e Radialismo.
O prestar solidariedade à colega Driele Veiga, o Sinjorba conclamou os jornalistas baianos a se unir em torno da entidade para reagir com vigor diante dos abusos de algumas autoridades e seus seguidores contra a Imprensa.
“Mais do que nunca precisamos defender a democracia brasileira, ameaçada por títeres e viúvas da ditadura militar, que usam leis anacrônicas e os cargos que ocupam para intimidar o exercício da liberdade de imprensa e o ofício de seus trabalhadores”, concluiu Moacy Neves.