
A passagem do presidente da República pelo sul da Bahia, na segunda-feira, dia 03, contribuiu para mudar radicalmente o atual cenário político em Ilhéus e Itabuna. O fato é relevante porque, a um ano das eleições municipais, segmentos das duas principais cidades da região, tentam antecipar o pleito e já vivem clima de pré-campanha.
Nas 24 horas em que passou em solo sulbaiano, Lula foi recebido pelo prefeito ilheense Mário Alexandre-Marão, do PSD, acompanhado de sua esposa, a deputada estadual Soane Galvão, do PSB; tomou café da manhã com o ex-deputado federal Geraldo Simões, do seu partido, e ignorou a existência do prefeito de Itabuna, Augusto Castro, do PSD.
Na residência do empresário Nilton Cruz, em Ilhéus, o café de Lula com Geraldo Simões durou duas horas. Começou às sete e terminou às nove da manhã. Presentes, além do anfitrião, o senador Jacques Wagner, a primeira-dama Janja, a ex-secretária de Desenvolvimento Social Jussara Feitosa, e o secretário geral da Presidência, Márcio Macedo.
O Blog do Bené acompanhou a conversa, que girou em torno de projeto de desenvolvimento da economia regional, planos para fortalecer o PT no sul da Bahia em 2024 e análise das administrações da região, com destaque para Ilhéus e Itabuna, os dois principais municípios.
Em relação à Itabuna, o presidente da República não recebeu boas informações. Um dossiê sobre a administração de Augusto Castro aponta que a avaliação pessoal do prefeito de Itabuna não é das melhores. Apesar de aparecer na mídia com bom gestor, são inúmeras e crescentes as graves denúncias de irregularidades. E mais: o prefeito de Itabuna não votou em Lula e na eleição passada priorizou apenas a candidatura de José Alberto a deputado estadual.
De origem carlista, Augusto Castro sempre foi um crítico ferrenho do PT. Quando era deputado estadual do PSDB – ao lado de Juthay Magalhães, Adolfo Viana e João Gualberto – ele fez reiteradamente duras críticas na tribuna a Jaques Wagner, principalmente em relação à segurança pública. No restaurante e pelos corredores da Assembleia Legislativa dizia claramente que o governo petista era incompetente e desonesto.
“Augusto Castro nunca teve simpatia pelo PT e sempre esteve num campo político oposto ao nosso, acompanhando Collor de Mello, FHC, ACM e Capitão Azevedo. Ao longo desses anos, ele não buscou estreitar uma relação sadia com os petistas. Como prefeito de Itabuna, não estabeleceu uma relação institucional com o partido”, disse ao Blog do Bené, na manhã desta segunda-feira, dia 03, um ex-dirigente estadual do PT. Ao lado dele, membros da executiva de Ilhéus endossam suas palavras.
Outro ponto analisado é a relação entre Marão e Augusto, hoje, altamente estremecida. O prefeito de Ilhéus já comunicou a sua insatisfação aos dirigentes do PSD baiano e aos integrantes da base governistas e aposta o isolamento político do seu colega de partido. A ausência de Jerônimo no Itapedro, o abraço que recebeu do governador em Ibicuí e a forma como ele e Soane foram tratados por Lula, Wagner e Rui é indício de quem vencerá essa parada.